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"Confesso que tenho uma certa dificuldade em abraçar o exercício físico na minha vida. Isso e tudo o que exija motivação e disciplina. Sei que tenho fama de nerd e podia vir para aqui dizer que prefiro ver Game of Thrones a fazer body combat só para fazer jus à fama. Mas a verdade é que, quando chego ao ginásio, sinto-me bem.
Não é só por gostar de me mexer um bocado, mas também — e sobretudo — por me sentir alegremente desajustada. A minha escoliose rejubila. E podia passar horas a reflectir sobre aquela alegria dos personal trainers, sob pena de ficar eu própria cheia de cãibras solidárias nos maxilares.
Comovo-me, mas não invejo profissões cujos requisitos incluam alegria. Na única vez que jantei no Hard Rock Café, concluí amargamente que a sobremesa de brownies e gelado não compensava o triste espectáculo que os empregados de mesa são obrigados a dar sempre que batem as onze: todos em cima do palco a dançar o “YMCA”. Com alegria. “Mas ó chefe, morreu-me o cão.” Qual quê, toca a ir lá para cima, que o Snoopy ia gostar de te ver dançar. E quero ver esses dentes.
Ir ao ginásio é uma aventura que começa nos balneários. Um assunto recorrente no das mulheres é, pois claro, homens. Mas o facto de toda a audiência ser feminina torna as conversas ainda mais cáusticas: as frequentadoras de ginásios odeiam orgulhosamente os seus namorados. Discutem bem alto estratégias de como os devem fazer sofrer. Deve ser psicologia invertida. Ou então dor de corno. Logo a seguir, trocam conselhos sobre depilação. Imagino que o pêlo as faça sentir diminuídas nesse jogo de poder que é, para elas, o amor.
Demasiado pêlo — por menos que seja — é olhado pelas companheiras de ginásio com uma mistura de nojo e condescendência. “Eu tiro tudo e não me dói nada.” Entretanto, no balneário ao lado, suponho que se comparem tamanhos de pénis, como referem os chavões. Mas, quanto a isso, não se pode fazer grande coisa.
Eu gosto de ir a aulas de body combat. É uma espécie de arte marcial para pessoas inaptas como eu. Dão-se murros e pontapés no ar ao som de um remix da Rihanna e, às vezes, os personal trainers pedem-nos para gritarmos com uma ira proporcional (e proporcionalmente duvidosa) à alegria que eles exibem. Quando aparece um homem numa turma de body combat, as mulheres franzem o sobrolho porque concluem que, se ele está ali, é porque não sabe mandar socos a sério. É uma aventura puxada, a do ginásio. Sociologicamente apaixonante." - Ana Markl 

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